No dia 9 de janeiro de 2017, João de Camargo se despediu dos seus nove filhos e dos seus mais de vinte netos. Resolveu, sem avisar ninguém, ir ao encontro de Deus no céu.

Quando Joãozinho lá chegou foi recebido por muitos amigos e familiares que não via há muitos anos.

Um dos seus primos, quando viu João meio perdido falou:

– No começo é assim mesmo, primo, mas com o tempo a gente se acostuma. Cá pra nós, aqui é muito melhor que lá. Nossas dores vão todas embora e quando a saudade aperta, o Pai nos dá a permissão de dar uma olhadinha nas pessoas que ficaram.

– Eu sei,  primo! Sempre fui um “homi” muito “do religioso”. Antes de partir, eu pedi a Deus que cuidasse de toda minha família. Mas sabe como é, né? A “sardade” tá duura que só vendo já.

– “Conta pra eu”, primo… O que você mais gostava de fazer lá?

– Ara, primo! Eu gostava de fazer todo mundo rir. Contava piada, fazia brincadeira, “inté” mágica! A minha “muié” não gostava muito, não, mas às vezes “sortava” umas risadas.

– Quando o primo tiver mais “véio” aqui vai poder acessar um “tar” de Facebook. Eu acessei alguns perfis dos seus netos e todos eles disseram que você adorava contar uma história.

– Ah… Como eu gostava de contar os meus causos. E, olha, primo, você sabe o quanto a gente aprontou e se aventurou naquele Paraná, né? Eu contava e meus “neto tudo” ficava com olho “arregaiado”. Era bom demais!

Depois de uma longa prosa, seu primo pegou um embrulho e entregou a João.

– Ara, primo! Mas que que isso?

– Abre!

Ao abrir o embrulho, João se emocionou. Era uma mensagem de sua “muié” Clarice:

“Jão,

Larga de “bestage” e vá viver em paz. Eita, “homi” teimoso!

Observação: Obrigada por todos os momentos que me fez sorrir.”

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Em homenagem ao melhor avô do mundo: o meu, o Joãozinho