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Hoje, no ponto de ônibus, uma menina pediu ajuda para a mãe dela na tarefa de amarrar seus cadarços. Depois de amarrados, ela olhou admirada e perguntou:

– Como você sabe disso, mamãe?

*

Minha avó Clarice cuidava de mim, do meu irmão, da minha tia mais nova e de mais quatro primos quando éramos crianças. Quando ficávamos com anemia, ela fazia uma supervitamina e colocava pedaços e mais pedaços de beterraba no meio. Dizia ela que a tal da “roxinha” dava uma “sustança” daquelas! Eu perguntava:

– Como a senhora sabe disso?

João Gabriel, pai de primeira viagem, ficou semanas sem dormir direito depois do nascimento do filho. O pequeno acordava, todos os dias, de madrugada e não parava de chorar. Até que um dia, João resolveu comprar um aparelho que reproduz o som de um coração e deixou ao lado do pequenino…. Os dois nunca mais precisaram acordar antes do horário. Sua esposa, então, perguntou:

– Como você soube disso?

Minha mãe, repetidas vezes, me disse em dias ensolarados para eu não esquecer o guarda-chuva e levar uma blusa para mais tarde. Passadas três horas, o céu ficava escuro e o vento congelante!

– Mas pelo amor das macumbas das mães desse mundo, como você sabia disso?

Minha primeira professora, Lilian, nos ensinou as cores, os números, os nomes dos objetos e até a escovar os dentes após as refeições. Vivíamos perguntando:

– Tia Lilian, como você sabe de tudo isso?

*

Quase vinte anos depois, contei pra minha avó que beterraba não é tão nutritiva como ela achava. Indignada, me olhou e perguntou:

– Mas “ué”, como você sabe disso, “fia”?

– Ah, vó… A vida sempre nos obriga a aprender, né?! Pelo amor, pela dor ou pelo trauma de nem suportar o cheiro de beterraba!

Caímos as duas na gargalhada.