Ela era um ser vivo frágil que passava por “maus bocados”. Ele era um ser vivo frágil e que também passava por “maus bocados”. Ela estava cansada da vida que levava no trabalho, do assédio moral que vivia e do trabalhão que um relacionamento estava dando na época; era tudo muito complicado. Ele estava cansado de ser abandonado e de andar por aí sem destino, também dava um trabalhão danado procurar, toda noite, um lugar para se esconder do frio; era tudo tão solitário. Até que um dia ela se perdeu dela mesmo. Decidiu largar emprego, namorado e resolveu mudar. Até que um dia ele ficou com vontade de andar quilômetros de distância. Decidiu que merecia um lugar, de verdade, para se habitar e resolveu seguir em frente… e em frente… e em frente.

Ela chegou a se perguntar várias vezes, “O que estou fazendo da minha vida?” Ele não conseguia pensar em nada, só andava cada vez mais em frente. Até que, de repente, ela decidiu fazer algo que poderia curá-la de toda aquela angústia. O tratamento não seria realizado por médicos, remédios e muito menos por outros meios alternativos, mas com amor. Com muito amor. Até que, de repente, ele encontrou um lugar que poderia ser a cura para suas dores, já que andou durante muito tempo. O tratamento não seria realizado por médicos, remédios e muito menos por outros meios alternativos, mas com amor. Com muito amor.

O Centro de Controle e de Zoonoses, de São Paulo, foi onde ela resolveu começar seu tratamento. Decidiu ser voluntária e ajudar a cuidar de animais resgatados das ruas, depois de serem abandonados. O Centro de Controle e de Zoonoses, de São Paulo, foi onde ele resolveu ficar para começar seu tratamento. Decidiu ser cachorro e ajudar a cuidar dos seres humanos machucados, depois de abandonarem seus sonhos.

No primeiro dia dela, ela passeou com um vira-lata com conjuntivite, medroso, mas extremamente carinhoso. No primeiro dia dele, ele passeou com uma menina com olhos brilhantes, medrosa, mas extremamente carinhosa. Se apaixonaram. Ela chegou a dizer em voz alta, “Bonitão, você tem cara de Billy”. Ele latiu como forma de aprovação, “Ei, eu gosto de ser chamado de Billy”.

Ela resolveu adotá-lo, mas como a casa que morava em São Paulo era pequena teria que levá-lo para o interior, na casa dos pais. Ele resolveu ser adotado. Estava feliz com a ideia de ter um lar de verdade e iria adorar morar no interior. Só que tinha um problema. Não tinha como levá-lo até lá. O táxi-dog ficaria muito caro; mil reais em apenas uma viagem. Então, ela teve uma ideia. Mandou e-mails para todas as ONG’s protetoras de animais que conhecia pedindo sugestões de como poderia obter a “grana” para levar o Billy até a casa dos pais. Uma das protetoras, Regiane, a presenteou com a rifa de uma cesta e que cesta! Se conseguisse vender tudo poderia levar Billy com o táxi e serem felizes para sempre. Em menos de dez dias, conseguiu vender “tudinho”, mas ainda assim o dinheiro não foi o suficiente.

Enquanto isso, Billy não deixava com que ela, a Juciara, perdesse a esperança. Um dia, ela conversou com um de seus amigos, o Marquinho, e contou sobre a situação. Para alegria de todos, ele falou, “Eu levo vocês. E de graça!”

Quando Juciara chegou na casa dos pais ficou aliviada, finalmente, Billy teria um lar. Quando Billy chegou na casa dos pais de Juciara ficou aliviado, finalmente, ele teria um lar de verdade. Onde Juciara ia, Billy ia atrás. Na cozinha, no quarto, no quintal e até no banheiro. “Billy, isso lá é hora de me seguir?”. Foi a partir daí que Billy ganhou um sobrenome. Era o Billy Chulé!

Como Juciara morava na capital teve que deixar Billy com os pais, mas sempre ia visitá-lo. O tratamento de amor estava fazendo um efeito tão grande, mas tão grande, que ela voltou a trabalhar, estudar e a se sentir muito mais forte. Enquanto ele se recuperava lá, ela se recuperava aqui.

Hoje, ela é um ser vivo forte que passa por bons momentos. Hoje, ele é um ser vivo forte e que também passa por bons momentos. Juntos eles perceberam que nunca estarão sozinhos. Juntos eles souberam que na vida, apesar de tudo, deve-se seguir em frente… e em frente… e em frente!

Juciara e Billy Chulé
Juciara e Billy Chulé