O juiz apita e a bola começa a rolar. A quadra pequena do bairro Estoril, em São Bernardo do Campo, é palco de sonhos grandes de gente ainda pequena. São meninos de dez a 12 anos de idade, no máximo, que disputam as melhores jogadas para se chegar ao tão esperado gol. Era ali que Juvenil e seu vizinho Carlinhos costumam passar as tardes. Os dois moravam no bairro há anos, mas somente com as partidas de futebol começaram a conversar e a se conhecerem melhor.

A paixão e a habilidade dos dois pelo esporte eram tantas que não durou muito para disputarem campeonatos por São Paulo. Paralelo a isso, estudavam na mesma escola e eram companheiros das festinhas e gandaias, que os aproximavam cada vez mais.

Um dia, depois de anos e um pouco mais crescidos, os dois estavam a caminho do futebol quando presenciaram uma cena que os marcaria para sempre. Eles estavam aguardando o semáforo abrir, até que uma mulher atravessou na frente de uma kombi sem olhar para os lados. Atrás do veículo, outro carro veio em alta velocidade e não conseguiu frear a tempo, atropelando a pedestre. Carlinhos, então, fez de tudo para ajudá-la, mas infelizmente, não conseguiu e ela acabou morrendo nos braços dele.

Naquele instante, Carlinhos – que prestava concurso para entrar na Polícia Militar – desistiu do curso e acabou mudando de rumo e se tornou bombeiro, pois o sonho dele era salvar vidas… muitas vidas!

Com a vida adulta, foi sobrando cada vez menos espaço para o futebol e menos tempo para se verem, porém quando se encontravam era uma festa só, como se nunca tivessem se separado.

Anos depois, os dois meninos tomaram, mais uma vez, rumos diferentes e acabaram mudando de emprego. Mas não foi só isso que mudou em suas vidas. Certo dia, ao voltar do trabalho, Juvenil atendeu o telefonema de sua cunhada e foi quando o mundo dele desabou pela primeira vez. Carlinhos havia morrido depois de fazer aquilo que ele sempre fez de melhor: salvar vidas.

Depois da ficha cair, o mundo dele quase desabou pela segunda vez. Mas Juvenil sabia que teria que ser forte pelo amigo. Sabia que tinha perdido um herói, mas que, mesmo de longe, seu melhor amigo o acompanharia sempre.

Juvenil e Carlinhos sabiam que o sucesso de uma partida de futebol se dava quando todos os parceiros estivessem bem e que a fé deve persistir mesmo quando a bola for lançada na trave.

Ponta superior esquerda: Carlinhos e meio na parte inferior: Juvenil
Ponta superior esquerda: Carlinhos e meio na parte inferior: Juvenil