As paredes grossas de uma das salas da Maternidade Santa Catarina, na Paulista, não conseguiram abafar o choro estridente de uma menina que, bem na hora do almoço, resolveu dar as caras ao mundo. A mãe – suada, ensanguenta, cheia de dor – a colocou em seus braços, sorriu com os olhos e falou – num tom em que médicos, enfermeiras e todos que estavam ali conseguissem ouvir-:

– Que bostinha de grilo!

Era uma menina de 47 centímetros e 3,300 kg, tão pequena como… uma bostinha de grilo! Mas havia nascido com um nome, escolhido antes, muito antes daquele 23 de Maio de 1991.

Certo dia, Aparecida Antonia (a mãe) passeava pela rua, rumo ao trabalho. De repente, encontrou na calçada um frasco colorido e cheio de flores. Curiosa que só, a mulher não se contentou em ver, mas pegou o recipiente e viu que se tratava, afinal, de um perfume francês. Leu em voz alta e devagar, quase como se quisesse soletrar a palavra:

– KA – LI – NE!

No mesmo instante, sorriu e guardou o nome em sua cabeça. Quando se encontrou com Joaquim (o namorado) contou o ocorrido e disse:

– Eu quero que nossa filha tenha esse nome!

Kaline passou a ser sinônimo de juras de amor, promessas e até pedidos de desculpas:

– Eu te amo tanto quanto amarei Kaline um dia.
– Juro ser um homem melhor em nome da Kaline!
– Me perdoa pelo amor que temos pela Kaline...

Antes de Kaline veio Rafael, com seus pais há 5 anos casados. Aos quatro, Rafa soube que a mãe estava grávida de uma menina que o levou a dar pulos de alegria:

– A Kaline vem aí! A Kaline vem aí.

E veio. Para mostrar que toda história é uma maneira de tornar um momento eterno e que até mesmo uma simples bostinha de grilo pode ser importante para o mundo de alguém. Como todos nós somos!

– Prazer, KA-LI-NE e eu quero contar mais das suas reticências.

Uma das cartas escritas de Joaquim para Aparecida. Ano: 78
1978: Um dos inúmeros cartões de Joaquim enviados para Aparecida